quarta-feira, 11 de junho de 2008

CONCLUSÃO.

Tal como sucede com uma infinitude de outras mensagens, também do discurso do cineasta David Lynch é possível extrair uma grande dose de domínio sobre a técnica da Retórica. Honra lhe seja feita a ele e a quem defende a disciplina sobre a qual estas páginas se debruçaram como uma arte – Lynch, génio criativo do cinema, da fotografia, da pintura, da música, é realmente dotado de um poder persuasivo que não muitas vezes encontramos noutras gentes do nosso tempo. E, qual sofista em busca da melhoria do seu aluno e do alcance da sua virtude, Lynch tem percorrido mundo e meio em defesa do modo com que, desde há trinta anos, resolveu adubar a sua criatividade: a meditação transcendental. Procuraram as linhas que aqui encerramos demonstrar a necessidade que um orador tem de buscar, no seio da sua audiência, as afinidades que lhe permitam manter sobre si e sobre as suas palavras o foco do interesse. E mostrámos como esse foco está desde logo aceso, caso o prestígio e a mestria de quem fala seja unânime entre quem o escuta. No caso do público que assiste às palestras daquele mestre do cinema, é com certeza.

Fazendo ainda referência à Nova Retórica de Chäim Perelman e ilustrando com um caricato exemplo a supremacia do poder de argumentação na área comunicacional da publicidade, temas que nenhuma reflexão sobre a Retórica pode deixar de abordar, pretendemos demonstrar as motivações que sempre se escondem por detrás de um discurso e, ainda que modo subtil e irónico, proceder a uma análise crítica desse mesmo discurso e/ou texto a luz das escolhas que nele estão implícitas. Uma vez tornadas explícitas as motivações de quem junta uns pozinhos de cinema a um texto que apela a algum tipo de reconversão espiritual, todo um novo leque de perspectivas sobre esse mesmo texto se abre. E quantos fãs de Twin Peaks não pagarão já as suas quotas na David Lynch Foundation for Transcendental Meditation.

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